Por Ulf Laessing
AL-MAYA, Líbia (Reuters) - Combatentes rebeldes da Líbia entraram nos subúrbios de Trípoli no domingo com pouco sinal de resistência, apesar do pedido do líder Muammar Gaddafi para que os líbios pegassem em armas e esmagassem uma revolta na capital.
Um grupo de rebeldes entrou pela parte ocidental da cidade atirando para o ar, disse uma testemunha. Segundo um repórter da Sky News, houve comemoração nas ruas.
As tropas rebeldes estavam fechando o cerco à capital desde sábado, para um ataque final ao reduto do líder líbio.
"Temo que se não agirmos, eles vão queimar Trípoli", disse Gaddafi em uma mensagem em áudio transmitida pela TV estatal. "Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade."
Milhares de combatentes rebeldes foram vistos a 20 quilômetros a oeste de Trípoli, indo em direção à capital na noite de domingo, segundo um correspondente da Reuters. Durante o avanço, os rebeldes assumiram o controle de um quartel pertencente à brigada de Khamis, uma unidade de segurança de elite, comandada por um dos filhos de Gaddafi, Khamis.
Os confrontos de sábado à noite e domingo de manhã mataram 376 pessoas em ambos os lados e feriram cerca de 1.000, de acordo com uma autoridade do governo que pediu anonimato.
O tiroteio começou na noite de sábado em Trípoli, numa revolta coordenada que as células rebeldes vinham preparando secretamente há meses. Momentos depois, clérigos muçulmanos, usando os alto-falantes das mesquitas chamaram o povo para as ruas.
Em sua segunda transmissão de áudio em 24 horas, Gaddafi chamou os rebeldes de ratos.
"Estou ordenando que abram os depósitos de armas", disse Gaddafi. "Conclamo todos os líbios a aderirem a essa luta. Aqueles que tiverem medo podem dar suas armas às suas mães ou irmãs."
"Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer."
Os combates dentro de Trípoli, combinados com os avanços dos rebeldes em direção à periferia da cidade, parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da "Primavera Árabe", envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"As chances de uma saída segura para Gaddafi diminuem a cada hora", disse Ashour Shamis, um ativista da oposição da Líbia e editor baseado na Grã-Bretanha.
Mas a queda de Gaddafi, depois de 41 anos no poder, não é dada como certa. A capital é bem maior do que qualquer coisa que os combatentes anti-Gaddafi, em sua maioria amadores, com suas armas velhas e uniformes improvisados, tiveram que enfrentar.
Se o líder líbio for forçado a sair do poder, haverá dúvidas quanto à capacidade da oposição de restabelecer a estabilidade nesse país exportador de petróleo. O comando das forças rebeldes tem sido abalado por disputas e rivalidades.
Os rebeldes disseram depois de uma noite de intensos combates que controlavam um punhado de bairros na cidade.
O avanço dos rebeldes em direção à capital foi rápido e não houve nenhum sinal de grande resistência por parte das forças de segurança de Gaddafi. Nas últimas 48 horas, os rebeldes tinham avançado cerca de 30 km para Trípoli, reduzindo a distância entre eles e a capital pela metade.
"Os rebeldes podem ter chegado muito cedo a Trípoli e o resultado poderá ser muitos confrontos sangrentos", disse Oliver Miles, um ex-embaixador britânico na Líbia. "Pode ser que, na cidade, o regime não tenha caído tanto quanto eles acham que caiu."
domingo, 21 de agosto de 2011
Egito pede a Israel mais contundência em desculpa por incidente fronteiriço
O Governo egípcio não se deu por satisfeito com a "desculpa" israelense pela morte de cinco militares egípcios em um incidente fronteiriço, pressionado inclusive por centenas de manifestantes que continuam seu protesto em frente à Embaixada israelense no Cairo.
A comissão governamental egípcia encarregada de acompanhar a crise entre ambos os países deixou claro que as declarações do ministro israelense, Ehud Barak, que lamentou a morte de soldados egípcios, "não foram adequadas à dimensão do fato nem à indignação do povo egípcio".
O Executivo egípcio, liderado pelo primeiro-ministro Essam Sharaf, reivindicou que se fixe um prazo máximo para acertar uma investigação conjunta, à que Israel anuiu, para esclarecer o ataque de um avião israelense que na quinta-feira acabou com a vida de soldados egípcios na fronteira da Península do Sinai.
Disposto a preservar a paz com os israelenses, o Governo egípcio disse que Israel também tem que assumir suas responsabilidades se quiser manter o que ambos os países protegeram desde os acordos de Camp David em 1979.
Perante as dúvidas despertadas em Israel sobre o controle egípcio da segurança no Sinai, o Governo reivindicou com determinação sua soberania na zona, onde recentemente a presença militar foi reforçada.
Aproveitou também para condenar os últimos ataques israelenses na Faixa de Gaza, na mesma linha que a Liga Árabe, que também expressou sua solidariedade com o Egito pelo incidente fronteiriço.
No Cairo, o coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, também manifestou sua preocupação pelos últimos acontecimentos violentos na região, enquanto em Israel suas autoridades se esmeraram em acalmar a situação.
O presidente israelense, Shimon Peres, apresentou suas condolências aos parentes dos soldados egípcios mortos, e o chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, ordenou seus ministros que não façam declarações públicas sobre o assunto, segundo a imprensa local, que deram conta da mediação da França e dos Estados Unidos.
Embora em um primeiro momento o Governo egípcio tenha ameaçado retirar seu embaixador em Tel Aviv e depois conseguiu apenas convocar um diplomata no Cairo para pedir explicações, os egípcios continuam sem se conformar com as reações diplomáticas.
Pelo terceiro dia consecutivo, centenas de pessoas se manifestaram em frente à Embaixada de Israel no Cairo e, em um episódio de revolta, um jovem tirou a bandeira israelense da legação e pôs em seu lugar a egípcia.
Aos gritos de "judeus, o Exército do profeta Maomé voltará" e "o povo quer que Israel saia", os manifestantes egípcios exigiram que Israel suspenda as operações militares na fronteira egípcia e acabem com os ataques à Gaza.
Após derrubarrem o ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro, alguns participantes da última revolução se aproximaram da sede diplomática, conscientes de que a pressão popular pode influir também na política externa egípcia com relação a Israel.
Um responsável militar do território do Sinai reconheceu neste domingo que há um "certo descontrole" na fronteira, algo que considerou "normal em todas as fronteiras do mundo", segundo declarações recolhidas pela agência oficial "Mena".
No entanto, afirmou que a segurança na região foi restabelecida após um maior desdobramento de tropas no Sinai.
Além disso, o responsável afirmou que encontraram até agora 156 túneis que ligam o território egípcio a Faixa de Gaza, e que são utilizados para transportar mantimentos e remédios, além de contrabando de armas e de servir como passagem de terroristas.
A comissão governamental egípcia encarregada de acompanhar a crise entre ambos os países deixou claro que as declarações do ministro israelense, Ehud Barak, que lamentou a morte de soldados egípcios, "não foram adequadas à dimensão do fato nem à indignação do povo egípcio".
O Executivo egípcio, liderado pelo primeiro-ministro Essam Sharaf, reivindicou que se fixe um prazo máximo para acertar uma investigação conjunta, à que Israel anuiu, para esclarecer o ataque de um avião israelense que na quinta-feira acabou com a vida de soldados egípcios na fronteira da Península do Sinai.
Disposto a preservar a paz com os israelenses, o Governo egípcio disse que Israel também tem que assumir suas responsabilidades se quiser manter o que ambos os países protegeram desde os acordos de Camp David em 1979.
Perante as dúvidas despertadas em Israel sobre o controle egípcio da segurança no Sinai, o Governo reivindicou com determinação sua soberania na zona, onde recentemente a presença militar foi reforçada.
Aproveitou também para condenar os últimos ataques israelenses na Faixa de Gaza, na mesma linha que a Liga Árabe, que também expressou sua solidariedade com o Egito pelo incidente fronteiriço.
No Cairo, o coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, também manifestou sua preocupação pelos últimos acontecimentos violentos na região, enquanto em Israel suas autoridades se esmeraram em acalmar a situação.
O presidente israelense, Shimon Peres, apresentou suas condolências aos parentes dos soldados egípcios mortos, e o chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, ordenou seus ministros que não façam declarações públicas sobre o assunto, segundo a imprensa local, que deram conta da mediação da França e dos Estados Unidos.
Embora em um primeiro momento o Governo egípcio tenha ameaçado retirar seu embaixador em Tel Aviv e depois conseguiu apenas convocar um diplomata no Cairo para pedir explicações, os egípcios continuam sem se conformar com as reações diplomáticas.
Pelo terceiro dia consecutivo, centenas de pessoas se manifestaram em frente à Embaixada de Israel no Cairo e, em um episódio de revolta, um jovem tirou a bandeira israelense da legação e pôs em seu lugar a egípcia.
Aos gritos de "judeus, o Exército do profeta Maomé voltará" e "o povo quer que Israel saia", os manifestantes egípcios exigiram que Israel suspenda as operações militares na fronteira egípcia e acabem com os ataques à Gaza.
Após derrubarrem o ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro, alguns participantes da última revolução se aproximaram da sede diplomática, conscientes de que a pressão popular pode influir também na política externa egípcia com relação a Israel.
Um responsável militar do território do Sinai reconheceu neste domingo que há um "certo descontrole" na fronteira, algo que considerou "normal em todas as fronteiras do mundo", segundo declarações recolhidas pela agência oficial "Mena".
No entanto, afirmou que a segurança na região foi restabelecida após um maior desdobramento de tropas no Sinai.
Além disso, o responsável afirmou que encontraram até agora 156 túneis que ligam o território egípcio a Faixa de Gaza, e que são utilizados para transportar mantimentos e remédios, além de contrabando de armas e de servir como passagem de terroristas.
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